Hoje estou atravessando, só, o Inferno de Dante

Dantescamente surreal e orbital, na esfera do meu umbigo egóico e putrefato, percorro o corrupto lado negro da Força. Em círculos plenamente concêntricos. Os abutres da alma laceram as carnes podres. E tudo tão indecentemente acridoce.

Domingo de carnaval

            Ontem, sábado de carnaval, chego para assumir meu posto na balança do Restaurante Vegetariano e...

            - Mataram alguém na sua rua, hoje, Maria?

            - Como assim?

            - Vixe! Tu num viu a poça de sangue que ta lá, do lado do poste, do ladinho do cartório Rolim?

            - Vi nada, não. Sai ontem no bloco do Depois. Saí de casa às nove e meia da noite, voltei as três da manhã, de carona e não tô sabendo de nada, não.

            - Então vai lá ver.

            Fui. Já atravessei a rua com aquela sensação esquisita na boca do estômago e rezando pro agressor e pro agredido, porque acredito que uma energia ruim fica rodeando o lugar em que acontece esse tipo de coisa.

            O sangue estava mesmo lá. Mesmo que eu não quisesse acreditar antes e até achasse que era qualquer outra coisa, sei lá...tinta, por exemplo. Não era. Era sangue. Ainda sem estar preto, o que significava que não estava tão velho. Algumas horas. O poste com as marcas de mãos ensangüentadas que tentaram se agarrar e nada mais. Meu patrão não sabia de nada. Ninguém sabia de nada. Almocei com uma coisa ruim me rodeando e focando em Deus pra espantar aquela coisa. O que sentia era tristeza misturada com espanto. Impotência com abandono. Compaixão com medo. Medo por todas as pessoas que amo (e são tantas) soltas por aí, correndo risco e eu impotente. Inconformada. Como é que podia? Na minha rua. Bem na horinha que eu estava brincando carnaval, entre o tema do bloco, cantado de cima do carro de som do trio elétrico e a bateria do Clube 28, que vinha na frente, em outro ritmo mais acelerado. Com minha cara pintada de azul turquesa, uma linda borboleta, símbolo de leveza, transmutação e liberdade. As franjas da camiseta, cortada em tiras, desde três anos atrás, quando descobri que o bloco existia, e comecei acompanha-lo, agora bordada de lantejoulas que coloquei de tarde. Eu estava alegre e um cara, provavelmente um dos michês com quem eu encontro eventualmente, nas noites, ao voltar para casa, era sangrado, na minha rua.

            - Isso acontece em qualquer lugar. – dizem uns a guisa de consolo.

            - Não. – respondo eu. – Na minha rua, não. Não quero. Não aceito.

            Não aceito a banalização da violência.

            Voltei para casa e parei no hotel em frente para perguntar se sabiam de alguma coisa.

            - Bem que ouvi tiros lá pras duas da manhã. – disse o porteiro que havia passado a noite. – mas botei a cabeça para fora, olhei para cima, para baixo e não vi nada.

            Hoje, domingo, descubro mais um fiapo de informação. Era mesmo o michê que fazia ponto na esquina do largo São Bento e, de quebra, dizem, vendia drogas.

            Morreu.

            Alguns moradores vão ficar contentes por ser menos um, sem atinar que logo será substituído por outro igual a ele. Outros talvez pensem remotamente, que era um ser humano parido como todo mundo, que chegou até onde estava por que talvez nunca tenham se importado em lhe mostrar outro caminho.

            Morreu. E ninguém está nem aí. É só mais um número nas estatísticas.

            E ninguém vai fazer nada para modificar a situação.

 

Esse é o Grupo MARAVILHOSO do qual faço parte!!!
Notícia publicada na edição de 12-12-2007 do Jornal Cruzeiro do Sul, editoria Mais Cruzeiro

Mais Cruzeiro

Jovens há mais tempo

Grupo Cara & Coragem, formado por pessoas na faixa dos 45 aos 70 anos, descobre o prazer do teatro

FotoO grupo da melhor idade se reúne toda segunda-feira das 14h às 17h, no Espaço Cultural Municipal; a atividade é gratuito
FotoGrupo formado por pessoas na faixa dos 45 aos 70 anos, descobre o prazer do teatro

Nada de passar a tarde assistindo ao Vale a pena ver de Novo, nada de indisposição. Contra os males do sedentarismo e da baixa auto-estima, mas, principalmente, pela oportunidade de se sentir útil e produtivo, um grupo de quase 20 pessoas da melhor idade (na faixa dos 45 aos 70 anos) encontrou, no teatro, a resposta que buscava para voltar a viver. Integrantes do grupo Cara & Coragem, eles montam, há quatro anos, espetáculos que são apresentados em Sorocaba e cidades da região. À frente do projeto está o diretor Hamilton Sbrana. Também ator, com 35 anos de experiência, ele coordena a atividade realizada em parceria com a Oficina Cultural Grande Otelo e a Secretaria de Cultura do Município. Sbrana conta que transmite à turma noções básicas do exercício dramático, como expressão corporal, e ocupação do espaço cênico. Os textos das montagens levadas à cena são concebidos pelos próprios atores, Hamilton apenas adapta a linguagem. No momento, o Cara & Coragem cumpre a temporada de Quando os netos forem avós. A peça coloca em discussão um tema palpitante: o uso da água. Antes dela, foi montada Cartola - o Sol Nascerá, produzida em homenagem ao compositor carioca, um dos fundadores da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Diretor e elenco têm grande afinidade. Sbrana - que já dividiu, no fim da década de 70, o palco com Dimas Vieira na antológica Hello Boy, de Roberto Gill de Camargo, dirigiu espetáculos que promoviam a conscientização para os riscos de acidente do trabalho e outros com atores mais jovens - comenta que a atual experiência, sob certos aspectos, é diferente. Eles (os atores) têm mais energia, pique. Servem de exemplo e nos ensinam muito. A troca, até por isso, é muito positiva. Nós, inclusive, participamos de festivais, concorremos com grupos experientes e vencemos em algumas categorias. O reconhecimento é recíproco. O bom no trabalho do Hamilton é que ele não nos dispensa tratamento diferenciado por conta da idade. Aqui todos cumprem a mesma função, estão sujeitos aos mesmos desafios, destaca Linda Inácio, de 64 anos, perto de completar 65, como fez questão de mencionar. Aliás, o interessante no grupo é que todos fazem questão de dizer que são mais velhos do que aparentam. Melhor dizendo, são jovens há mais tempo, conforme a atriz Neide Leite de Souza, 67. Antes do trabalho com a companhia, diz ela, o mundo tinha outra dimensão. Aqui, percebemos que a vida passa muito depressa e que é preciso se sentir útil. Somos uma família, todos se preocupam uns com os outros. Neide acrescenta que cansou de assistir, em casa, ao Vale a pena ver de novo. A ordem, agora, é vale a pena ser de novo, filosofa. O envolvimento com o projeto é tamanho, que Neide insistiu para se apresentar, mesmo quando ficou viúva. Eu não tinha o direito de impedir que eles faltassem com o compromisso. Seria um desrespeito com os colegas e o público também, afirmou. O depoimento comprova que Hamilton Sbrana parece mesmo ter descoberto um eficiente mecanismo de resgate da auto-estima. O mérito é todo deles. Eu só fiz dar o começo, comenta o diretor. Quem quiser agendar apresentações do Cara & Coragem, que volta à atividade a partir de 15 de janeiro, pode manter contato pelo telefone (15) 3013-7968 ou (15) 3233-3534.


Cadê?

Cadê as palavras afoitas que entupiam minha garganta quando criei esse blog?
Tudo muda.......tudo mudo
Não sou nada, nada extraio de meu âmago porque talvez nada exista lá.
Ou é a "bendita" autocrítica que me tolhe e encolhe?
Herdeira de tantos. Pesados fardos. Aquele jazz delicioso que não consigo improvisar. Aquele soneto que não deixo sair brotar de meus dedos para o papel. Aquele peça que oprimo entre dentes. A melodia que meus dedos fogem de tocar nas teclas que esperam. A tela em branco que me irrita com sua espreita, As ferramentas todas criando ferrugem, poeira. Encostadas num canto oculto. Por quê?
Talvez não haja nada a fazer. Só no palco estou viva, vivaz. Na ribalta acho meu canto. Sou uma e sou tantas. Flor. Bruxa. Rainha, Puta. Jabuti. Urubu. Lavadeira. Empresto-lhes meu corpo e elas me tomam e vivem. Então sou feliz. Mesmo que o piano continue mudo, o violão empoeirado no canto, o papel e o lápis inertes, a tela vazia. No palco ou na praça, como instrumento de tantas personagens, sendo usada: eu vivo, eu sou.

Poesia: Exaltação à Femea Madura
Sureal tão real

No pênis da mulher gato encontra-se a charge do obscuro que remete a volúpia do gago, que direciona o fonema para a altitude do cosmo inferior, visando a conquista do semblante de Perséfone, quando acode o heteróclito-pseudo-agudo-condoimento das rugas de vicissitudes do carma humano contrário ao planeta, na loucura profana do ébano rastejante chamado gente que declina da verve autocrática, tarimbando de reles consumir numa elegia doce. Tudo tudo conforme previa o profeta Luiz Aragão.

Como quereis ò gente, que esse povo seja diferente se foi gerado na canalhice portuguesa e seu aprendizado foi só de usurpação? Negros mortos, índios decepados, estuprados. Foi o que só aprendeu. O quinto do ouro e dos infernos. Dilapidado. Bancando desavergonhadamente a industrial revolução. Só damos continuidade ao que sempre foi. Por que a crítica, o nariz torcido, se outro não aprendemos a ser?

O "Protocolo de Khioto" expira em 2012...e daí?

Onde está o Menino?

Ouvi dizer que era o nascimento de um rei

Fui procurar em todas as cidadeS

Por todas as ruas, em todas as casas

E o que encontrei?

Pessoas fantasiadas de velhos gorduchos

Com absurdas roupas para esse calor tropical

Encontrei lojas frenéticas

Pessoas comprando coisas, muitas coisas

Diferentes coisas

Consumindo desvairadas

O que podiam e o que não podiam

Hipnotizadas, robotizadas, manipuladas

Cadê o Menino? - eu perguntava

Ninguém sabia, ninguém dizia

Olhei em palácios, procurei em favelas

e...nada

Vi pessoas se matando

Se empanturrando

Se embriagando

Se alienando

Se anulando

Ou só dormindo com fome

E o Menino...Cadê?

Ninguém viu, ninguém sabia

Suspirei

Entrei em casa

Havia uma farta mesa

Fui me empanturrar

E me embriagar também.

Mas...

Cadê o menino?

"Solidão é a distância que estamos de nós mesmos"

Há alguns anos atrás, li essa frase e tive uma seqüência de reações. A princípio rejeitei-a de cara. Como é que podia alguém ser feliz sem ter outro alguém??? Como é ficar longe de si próprio? Mas a frase permanecia de forma insidiosa no meu pensamento como se quisesse revelar algo mais, contar-me algum segredo importante.

Com o tempo e pela persistência dela, fui baixando minhas defesas e permitindo que minha mente se abrisse, aos poucos, para tentar penetrar-lhe o sentido mais profundo. O tempo foi passando e eu, mesmo sem compreendê-la de todo, comecei a citá-la para outras pessoas. E quanto mais eu a recitava mais ia mergulhando no seu significado, que começou lentamente, a fazer sentido para mim. Hoje, tendo me tornado uma pessoa feliz, sinto necessidade de compartilhar esse mistério tão simples e paradoxal.

Somos treinados desde a mais tenra idade a localizar nossa felicidade fora de nós mesmos. Aprendemos a depender do mundo externo a nossa volta, das posses que temos, da popularidade com os amigos, de alguém que nos de amor e/ou sexo.

Infelizmente aprendemos a lutar para conseguir que outros e outras nos dêem aquilo que não nos ensinaram, por também não saberem, que só nós próprios podemos nos dar: Amor, respeito, confiança, fé, saúde, prosperidade, alegria, paz.

Jamais seremos felizes por adquirirmos tal e tal coisas, jamais nos sentiremos plenos por conquistar o afeto dessa ou daquela pessoa. Posso até estar chovendo no molhado e dizendo palavras já exploradas e desgastadas de tantas formas. Mas a coisa é tão simples que, por mais que a ouçamos, não a apreendemos sem uma boa meditação e exercício diários. A vida funciona ao contrario do que aprendemos a pensar. Somente quando nos tornamos a pessoa feliz mais desejada, amada, companheira, amiga, amante, fã de nós próprios, conseguiremos sintonizar com aqueles que estarão no mesmo padrão vibratório para desenvolver uma relação saudável de "interdependência" e só então, estaremos prontos para ser feliz a dois. Somente quando adquirimos a coragem de soltar os caprichos do ego, e pular confiantes para o desconhecido, naquele exato instante no qual optamos por ser livres de fatores externos como aprovação, respeito, admiração, recompensas, nos tornamos lobos doces e ferozes, que sabem cuidar de si provendo as próprias necessidade como ninguém mais jamais o fará. Teremos conquistado a pessoa mais importando de nossas vidas: Nós mesmos.

Nunca mais seremos sós.

Hipocôndrio

Que vazio é esse que nos assola a alma?

Vazio esse, que se tenta preencher de tantos modos.

Comidas, bebidas, sexo,

esporte, trabalho, preguiças,

compras, dores, angústias,

fobias, unhas, tinturas,

viagens, paqueras, doces,

carnes, ódios, fofocas,

deuses?

Que oquidade é essa,

inominável,

que nos assusta, angustia,

degenera, adoece, dementa,

atiça, manipula, fermenta e

cresce?

Que vazio é esse que corroe e aniquila?

Que vazio é esse que nos

torna carentes répteis?

Submissas serpentes.

Que vazio é esse?

 

Amor antropofágico

Quero

captar teus odores

Inalar teu cheiro

Lamber os teus olhos

Degustar tua pele

Mastigar tua língua

Engolir tua boca

Tragar teus pensamentos

Sugar o teus pelos

Tua alma, deglutir

Devorar o teu tempo

Digerir tua vida

Metabolizar tua essência

Evacuar o nada em que te tornaste

E, por fim,

Reiniciar tudo

Num ciclo ininterrupto

Alimentar meu vazio

Efêmero, fútil, fugaz.

Perdas e ganhos

Meu filho morreu. Minha avó morreu. Meu pai morreu. Minha irmã morreu. Minhas tias, tios, tios-avós morreram. Alguns primos e primas morreram. Alguns amigos e amigas morreram. Vizinhos e conhecidos morreram. Amores morreram. Desafetos morreram. Velhos ou novos morreram. Ídolos morreram. Mestres morreram. Discípulos morreram. Restou a profunda gratidão por eles terem existido. Pelos momentos compartilhados e por algo deles, que sobrevive em mim. Algo deles tornou-se uma parte de mim, me ajudando a crescer e entender que não há perda, só transformação, aprendizado e crescimento.

Efêmeros

Alma assolada por sentimentos desagradáveis, familiares, cíclicos. Nada há que fazer. Participar da vida também é isso. Negar-lhes a existência é dar-lhes força. Tentar ignorar e conduzi-los a ir para os subterrâneos do eu fortalece-os, e crescendo como um tumor, explodem e me contaminam inteira. Melhor não. Deixar vir é sábio, não negar-lhe a existência nem tentar domá-la. Aceitá-los simplesmente pelo que são, efêmeros reflexos. Observar seu ir e vir como contemplo crianças brincando. Em algum momento, essa energia se cansa e vai adormecer cansada em seu recanto secreto, em algum ponto, numa caverna oculta no meu âmago. Um dia, num outro momento voltarão e, mais uma vez, tentaram me envolver no susto, pegar-me desprevenida. Hei que estar atenta. E esse ciclo se repete em minh’alma periódico.

É simples ser feliz

Sou feliz porque aprendi com os caminhos da vida que

Isso só depende de mim mesma

E cada momento do meu dia é dedicado a essa tarefa

Árdua e maravilhosa.

Sou feliz porque compartilho com outros esse segredo

E compartilhando, multiplico dentro de mim mesma.

Não sou solitária embora só.

Amo. E amar faz com que me sinta plena.

Não sou uma metade a ser completada

Mas um todo a ser compartilhado.

Homens temem mulheres felizes.

Como temem as que tem passado

Seu medo bobo de achar que nunca serão o bastante

Sua índole competitiva que os torna inseguros.

Não sabem que não podem fazer ninguém feliz

Porque ninguém pode

A não ser a si mesmo.

Pessoas invejam os felizes

E vendados pelos seus medos

Não percebem como é simples.

Depois que aprendi que:

"expectativa é um ressentimento premeditado"

ficou tão fácil.

Nada espero de ninguém,

Mas recebo com alegria.

Não cobro o que a vida não me destinou,

Porém corro para realizar meus próprios sonhos.

Aprendi que a preguiça me faz infeliz.

É tão fácil sentar na guia da calçada

Com as mãos estendidas

Mendigando que o outro me faça

o que não quero fazer por mim.

Ser feliz é trabalho.

É não ter medo.

Cair, levantar e seguir em frente

Não olhar o leite derramado que ficou para trás.

Mas usar a lição que ficou do tombo.

Sem nóias.

Ser feliz é se tornar o herói de si mesmo.

E então, quem sabe

encontrar um outro herói

E continuar trocando figurinhas.

Um homem prende-me
a medida em que me solta
Completa-me
quando ajuda a integrar-me comigo mesma.
Dá-me prazer
sabendo receber com alegria
minhas oferendas de afeto e sensualidade,
e faz-me sentir feminina
apoiando-me
para que eu encontre o caminho da minha própria força.
Torna-me lúcida e serena
quando queda silencioso e receptivo a escutar-me,
e faz que eu me perceba mulher
quando não julga-me nem aponta-me caminhos,
mas acende o lume para que eu perceba meu próprio rumo.
Completa-me quando ajuda-me a perceber que sou inteira
e faz-me sua
quando mostra-me que só pertenço a mim mesma.
Quando sabe ser amigo
sem tentar ser mentor,
É mentor
sem deixar que eu o perceba.
Protege-me
(até de mim mesma)... às vezes
sem permitir jamais
que eu me acomode sob suas asas.
Não nutre seu ego com minha fragilidade
mas me requer forte e auto-confiante.
Precisa-me ao seu lado
e admite isso com serenidade
Sem contanto ocultar-se sob minhas asas
Não joga jogos imaturos
Mas tem a espontaneidade de uma criança
Sabe ser-me necessário
a sem disso fazer alarde
Integrado e de bem consigo próprio
Sabendo ser feliz a dois.

Até breve, meu filho

Não posso aparar o vento com as mãos
Nem reter a água com os dedos
Sequer aplacar as ondas do mar ou comandar a trajetória das nuvens
Não posso prender-te atrelado a mim.
Voa meu pássaro.
Não olha meu coração que chora um pouco a cada adeus
Voa teu vôo livre em busca do teu destino
Segue coração meu e sê feliz
Eu sangro e ardo por reter-te indo contra o natural
Mas sorrio ao ver-te livre.
Esse paradoxo de emoções passa
Como tudo o mais na vida
Como as folhas bailando ao vento.
Não se retém o tempo, nem se atrela os filhos
A não ser pelo egoísmo.
E te quero forte, lindo e solto
Seguindo teu rumo e crescendo cada vez mais
Aprendendo as lições que te cabem.
A vida é feita de idas e vindas, chegadas, partidas.
Deixa que a dor doa,
que a saudade palpite insistente,
por tua imagem sumir aos meus olhos
Deixa o vazio instalar-se por pouco e segue,
segue sempre.
Mesmo sabendo que no entanto podes voltar
como eu sei, e sê feliz.
Na minha boca fica
a doçura do bombom que tu me deixas
Junto a morna saudade.
Temos um amanhã.

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